Fiquei olhando pra essa imagem alguns minutos quando a achei na internet. Achei que, nesse momento, ela representa muito bem a minha vida. Algumas cores, muitas letras em árabe e uma confusão meio pesada, um embaraço de sentidos. Está sendo um ano meio denso, cheio de coisas pra absorver. Eu queria ter escrito sobre tanta coisa, mas não tive tempo. E a hora mais triste, caro (inexistente) leitor, é aquela em que você não tem tempo pra fazer as coisas que gosta e, consequentemente, não tem tempo pra olhar pra dentro. Aí na hora que o bonde pára, você desce já tonto e vomitando tudo aquilo que estava ali dentro, esgoelando por atenção.
terça-feira, 11 de junho de 2013
terça-feira, 10 de abril de 2012
É no escuro do quarto, nos lençóis amassados entre as pernas e os
contornos dos móveis, que ela volta a ter o medo infantil. De repente o
dia parece nunca mais nascer, o espaço mórbido e as paredes cinzas
lembram a solitária de quem, por mau comportamento, está fadado a
permanecer na exclusão. São três horas da madrugada e o relógio nunca arrastou tanto suas horas. O silêncio penetra nos ouvidos, abafa os gritos de uma língua desconhecida. Ela não quer voltar a dormir, foram os sonhos que a levaram até ali, e a única cena que vê, ao fechar os olhos, é de quando ainda era menina. Não era um dia especial, usava seu vestido rodado cheio de laços lilás e tinha o cabelo entrelaçado, jogado no ombro direito. Comia as frutas do jardim e corria, livre. A única preocupação era não sujar o vestido, um dos seus favoritos. E, no segundo seguinte, a escuridão despenca sobre a imagem colorida. Está de volta ao quarto, que nunca pareceu tão pequeno. Está de volta a sua vida, que nunca foi tão acinzentada. Agora já são quase seis horas da manhã, os primeiros raios de sol aparecem nos vãos da janela e os pássaros avisam que a vida continua. Lavar o rosto deve adiantar. Ela cresceu, o vestido rodado cheio de laços lilás está pequeno agora e a árvore deu lugar a qualquer outra coisa que não sujasse tanto o jardim.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Bom dia 2012!
Nem parece que já faz um ano que postei sobre os meus desejos para 2011. Nem parece que já estou há 6 meses aqui, em Cairo. No entanto, apesar de rápido e doloroso, o ano passado foi com certeza o maior dos aprendizados que já tive na vida. Descobri, entre outras coisas, que a saudade dói, e muito. Aprendi a conviver com meus medos e inseguranças do outro lado do oceano. Aprendi a amar, várias vezes. Aprendi, finalmente, a cozinhar! Descobri que se eu pudesse viajava o mundo todo, conhecia cada povo, aprendia cada língua, porque se tem uma coisa interessante nesse mundo, com certeza é o desconhecido, o diferente. Fortaleci minhas opiniões, criei força para defender o que eu acredito. Chorei, chorei muito, de tristeza, de saudade e de medo. Mas os ventos e a aridez de Cairo secaram tudo e cá estou, pronta pra 2012. Pronta pra aproveitar o primeiro semestre, pronta para viver. Pronta pra voltar pra casa, para os braços de quem me espera. Pronta.
Nem parece que já faz um ano que postei sobre os meus desejos para 2011. Nem parece que já estou há 6 meses aqui, em Cairo. No entanto, apesar de rápido e doloroso, o ano passado foi com certeza o maior dos aprendizados que já tive na vida. Descobri, entre outras coisas, que a saudade dói, e muito. Aprendi a conviver com meus medos e inseguranças do outro lado do oceano. Aprendi a amar, várias vezes. Aprendi, finalmente, a cozinhar! Descobri que se eu pudesse viajava o mundo todo, conhecia cada povo, aprendia cada língua, porque se tem uma coisa interessante nesse mundo, com certeza é o desconhecido, o diferente. Fortaleci minhas opiniões, criei força para defender o que eu acredito. Chorei, chorei muito, de tristeza, de saudade e de medo. Mas os ventos e a aridez de Cairo secaram tudo e cá estou, pronta pra 2012. Pronta pra aproveitar o primeiro semestre, pronta para viver. Pronta pra voltar pra casa, para os braços de quem me espera. Pronta.
sábado, 17 de dezembro de 2011
beirando
Você está vendo só?
tão simples cair na vida de alguém
mesmo que seja de mansinho,
de pouquinho em pouquinho
até nos encontrarmos inteiros,
mergulhados, envolvidos,
na vida do outro
passa mais perto,
passa beirando meu abismo,
anda sobre a linha que nos divide,
é um risco assumido,
mas é o caminho que se percorre
para de leve, muito leve,
entrar na minha vida.
tão simples cair na vida de alguém
mesmo que seja de mansinho,
de pouquinho em pouquinho
até nos encontrarmos inteiros,
mergulhados, envolvidos,
na vida do outro
passa mais perto,
passa beirando meu abismo,
anda sobre a linha que nos divide,
é um risco assumido,
mas é o caminho que se percorre
para de leve, muito leve,
entrar na minha vida.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Adele acompanhando minhas noites.
Next time I'll be braver
I'll be my own savior
When the thunder calls for me
Next time I'll be braver
I'll be my own savior
Standing on my own two feet
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
Lembro de ter lido em algum lugar qualquer.
Os sentimentos que ultrapassam os oceanos me fazem querer pegar o telefone e chorar todos os litros acumulados de saudades que aqui moram e se alimentam. A vontade mesmo era de ouvir do outro lado da linha: "Se acalme, estou pegando o próximo avião pra te ver."
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
A um ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
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