segunda-feira, 27 de setembro de 2010

(sem assunto)

O mais triste de tudo isso é ter que se desfazer do romantismo, coisa tão bonita de se ter, por ter que se adequar à realidade. A constatação é simples: ou vive-se de sonhos e corta-se os pés no chão áspero da humanidade ou vive-se torcendo por calos, daqueles que aguentam 40ºC no asfalto.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Daqueles que voltam.

Queria esticar bem as pernas, assim como fazemos quando crianças para alcançar o doce em cima da geladeira, mas dessa vez queria chegar com minhas pequenas mãos e tocar o céu. Puxá-lo com toda a minha força infantil, desmanchá-lo e assim distribuir todas as estrelas e nuvens, espalhar aquela massa uniforme, azul como o mar, pelo mundo. Quem sabe não teríamos dentro de nós aquela incrível sensação do amanhecer, aquele brilho magnífico e esperançoso da primeira estrela da noite ou aquele intenso pôr-do-sol depois de um dia feliz.

Post publicado em 15 de agosto de 2007, quarta-feira.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!

Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.

"Nosso Tempo" em A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 6 de julho de 2010

Para mim, um camaleão solitário de rosto virado para o
chão não esqueceu nunca a cor do Sol. Ele apenas busca
a certeza daquilo que já pressentiu: que é num chão
profundo que o arco-íris esconde e inventa as suas raízes.
.
Ondjaki

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Olhos nos Olhos - Chico Buarque

Quando você me deixou, meu bem,
me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos.
Quero ver o que você faz
ao sentir que sem você eu passo bem demais.

E que venho até remoçando.
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
quantos homens me amaram
bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim,
cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos.
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

quarta-feira, 23 de junho de 2010