domingo, 31 de julho de 2011
terça-feira, 24 de maio de 2011
Futuros amantes - Chico Buarque
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
terça-feira, 10 de maio de 2011
Carta a uma senhorita em Paris - Júlio Cortázar
terça-feira, 29 de março de 2011
Da série "Rascunhos" - Escrito em 08/07/09
Tinha alma de menino,
daqueles que a mãe quer sempre agarrado na barra da saia.
Menino?
Criatura crescida por meios mundanos,
meninice deixada pras horas vagas.
Energia dissipada em vinte e quatro horas,
carrega, descarrega, descarrega, descarrega,
carrega.
Torna a descarregar.
Tinha um meio sorriso, impensado,
daqueles que mostram a essência da alma,
daqueles que acendem um aviso na mente
das mulheres: "Cuidado!".
Sorriso impregnado de suspiros alheios.
Era um romântico, um sobrevivente entre
os homens de terno e flores compradas.
Tinha tanto a mostrar que entala, fica preso.
Trajes superficiais de um ser atencioso.
Caixinha de surpresas, chapéu de mágico.
Era uma figurinha, daquelas que brilham no escuro.
terça-feira, 15 de março de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Para: Jaqueline de 2011.
domingo, 26 de dezembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Aqui ficaremos
Como se fôssemos vinte impossibilidades
Em Lydda, em Ramla, na Galileia
Aqui ficaremos
Como tijolos sobre os vossos peitos
Como lascas de vidro nas vossas gargantas
Como espinhos de um cacto nos vossos olhos
Como uma tempestade de fogo.
Aqui ficaremos
Como um muro sobre os vossos peitos
Lavando preguiçosamente os pratos, no ruído dos bares
Servindo bebidas aos nossos senhores
Esfregando o chão das cozinhas enegrecidas
Para arrancar dos vossos dentes azuis
Uma côdea para os nossos filhos.
Aqui ficaremos
Como um pesado muro sobre os vossos peitos
Nós famintos
Que não temos que vestir
Nós vos desafiamos.
Cantamos as nossas canções
Percorremos as ruas violentas com as nossas manifestações de raiva
Enchemos as prisões com dignidade e orgulho
Continuamos a ter filhos
Uma geração revolucionária
Depois de outra
Como se fôssemos vinte impossibilidades
Em Lydda, em Ramla, na Galileia!
Aqui ficaremos
Façam-nos o pior
Nós guardamos a sombra
Da oliveira e da figueira
Nós semeamos as ideias
Qual fermento na massa
Os nossos nervos estão enregelados
Mas o fogo do inferno aquece os nossos corações.
Se tivermos sede
Espremeremos as rochas
Se tivermos fome
Comeremos a terra
Mas nunca partiremos.
O nosso sangue é puro
Mas não o pouparemos.
Aqui temos o nosso passado
O nosso presente
E o nosso futuro
O nosso futuro está atrás de nós.
Como se fôssemos vinte impossibilidades
Em Lydda, em Ramla, na Galileia
Ó raízes vivas agarrem-se firmemente
E penetrem no fundo da terra.
É melhor para o opressor
Refazer as suas contas
Antes que a roda desande
“Para cada acção há uma reacção” – ouçam
O que diz o Livro.
Tawfiq Zayyad (1929 - 1994), poeta palestino.


