segunda-feira, 28 de junho de 2010

Olhos nos Olhos - Chico Buarque

Quando você me deixou, meu bem,
me disse pra ser feliz e passar bem.
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci,
mas depois, como era de costume, obedeci.

Quando você me quiser rever
já vai me encontrar refeita, pode crer.
Olhos nos olhos.
Quero ver o que você faz
ao sentir que sem você eu passo bem demais.

E que venho até remoçando.
Me pego cantando, sem mais, nem por quê.
Tantas águas rolaram,
quantos homens me amaram
bem mais e melhor que você.

Quando talvez precisar de mim,
cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim.
Olhos nos olhos.
Quero ver o que você diz.
Quero ver como suporta me ver tão feliz.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Muitas vezes os ouvi falando de alguém que cometera uma falta como se não fosse um de vocês, mas um estranho e intruso em seu mundo.
Mas eu lhes digo que assim como o santo e o justo não podem se elevar acima do mais alto que há em cada um de vocês,
Também o iníquo e o fraco não podem descer abaixo do que há de mais rasteiro em vocês.
E como nem mesmo uma só folha amarelece sem o conhecimento tácito de toda a árvore,
Também o malfeitor não pode fazer mal sem a secreta concordância de todos vocês.
Como em procissão vocês andam juntos rumo ao eu divino.
Pois são ao mesmo tempo o caminho e o caminhante.
E quando um de vocês cai, cai por aqueles que o seguem, como um alerta sobre a pedra no meio do caminho.
Sim, e cai também por causa daqueles que vão à frente dele, que embora mais ligeiros e de passo mais firme, não removeram o obstáculo.
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E ouçam também o seguinte, mesmo que as palavras inquietem seu coração:
Aquele que é assassinado não deixa de ser responsável pelo próprio assassinato,
E quem é roubado também tem culpa pelo próprio roubo.
O justo não é inocente dos atos do iníquo,
E mesmo quem tem as mãos limpas não está isento nas ações do criminoso.
Sim, o culpado é muitas vezes vítima daquele que foi por ele prejudicado,
E com maior frequência ainda é o condenado quem carrega o fardo do imaculado e inocente.
Não se pode separar o justo do injusto, e o bom do iníquo;
Pois estão lado a lado diante da face do sol, como os fios branco e negro são trançados juntos.
E se o fio negro se rompe, o tecelão vistoria todo o tecido, e examina também o tear.

Sobre o crime e o castigo em O Profeta de Kahlil Gibran

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sorri-se

Quando disse na saída,
deixo meu sorriso
disse bem,
até sorrir pra você
não vou sorrir pra mais ninguém
também disse,
o que se deixa é o que permanece
não esqueça essa sou eu,
que agora desapareceu
E se mais não disse, é que sorria
um sorriso que ficasse,
para depois de ter ido
como se nunca partisse,
como se tudo existisse
ah! se eu soubesse,
ah! se você me visse

Alice Ruiz